Função paterna e presença emocional: o verdadeiro significado do Dia dos Pais sob o olhar da psicanálise
- Elisabete Alves
- 24 de out.
- 2 min de leitura

Além da celebração: um convite à reflexão
O Dia dos Pais simboliza mais do que presentes e homenagens. É um momento para valorizar o papel de quem guia, protege e introduz a criança ao mundo a figura paterna, que ultrapassa o biológico e se torna uma função simbólica essencial à formação emocional e ética de cada indivíduo.Inspirada nas iniciativas de Sonora Smart Dodd, nos Estados Unidos, e de Sylvio Bhering, no Brasil, a data também reflete o desejo humano de reconhecer a importância da presença paterna física, afetiva e simbólica na construção de quem somos.
A função paterna sob o olhar da psicanálise
Na psicanálise, a figura do pai não se limita à presença biológica, mas à função paterna um conjunto de papéis simbólicos que envolvem limite, autoridade e introdução às regras da vida em sociedade.Essa função ajuda a criança a desenvolver noções de frustração, responsabilidade e pertencimento, pilares essenciais para a constituição do “eu”.
Com o declínio das grandes referências e a horizontalização das relações na contemporaneidade, essa função tornou-se mais fluida: hoje, ela pode ser exercida por diferentes figuras, desde mães solo até avós, padrastos ou tutores afetivos. Ainda assim, sua importância permanece intacta é o que introduz o sujeito à cultura, ao outro e à realidade.
A presença paterna e o desenvolvimento emocional
Sigmund Freud já afirmava:
“Nenhuma necessidade da infância é mais forte do que a de ser protegido por um pai.”
A presença e o apoio emocional paterno funcionam como um porto seguro, um espaço interno de confiança e amparo que ajuda a criança a desenvolver resiliência e autonomia.Quando essa presença falta física ou emocionalmente , podem surgir feridas que se manifestam na vida adulta sob formas sutis: baixa autoestima, medo de abandono, insegurança afetiva, dificuldade de confiar ou expressar emoções, e até sintomas de ansiedade e depressão.
A ausência paterna e as marcas invisíveis
A ausência emocional do pai durante a infância não é uma sentença, mas uma ferida que pede escuta e elaboração.Na psicanálise, compreender essa ausência é o primeiro passo para ressignificar padrões emocionais repetitivos, reconhecer a dor e transformá-la em consciência.Cada sessão se torna um espaço para reorganizar emoções, reconectar-se com o próprio afeto e resgatar o equilíbrio interno que ficou suspenso.
O papel da terapia na reconstrução interna
As sessões de psicanálise oferecem um ambiente seguro para revisitar lembranças e transformar as emoções cinzentas da infância em um arco-íris de compreensão e leveza.Ao acolher a dor com escuta e presença, o processo terapêutico permite ao paciente reconhecer sua história sem permanecer aprisionado nela, construindo novas formas de se relacionar com o mundo e consigo mesmo.
Cuidar do passado é libertar o presente
Neste Dia dos Pais, mais do que celebrar, é tempo de refletir sobre como a presença paterna molda nossa forma de amar, confiar e existir.E, se essa presença faltou, há caminhos para reconstruir.A psicanálise oferece essa ponte entre o que fomos e o que ainda podemos ser um convite para viver com mais leveza, consciência e autenticidade.
Agende sua sessão de psicanálise e comece a reorganizar suas emoções com um olhar acolhedor e integrativo.
🌿 Elisabete Alves – Psicanalista
Atendimentos online e presenciais em São Caetano do Sul.
