Poema de uma jornada na Psicanálise,
- Elisabete Alves

- 5 de jan.
- 2 min de leitura

Por R. Luchini
Há um ser feito de auroras partidas que repousa no centro da minha história — não como alguém, mas como um sopro antigo da própria Terra, um mistério vestido de vento, uma chama que arde mesmo quando pensa ser cinza.
Desde cedo aprendi a caminhar pelos corredores desse ser, onde as paredes recitam segredos em voz de tempestade, e a luz se esconde como um animal ferido debaixo das tábuas do tempo. Ali, qualquer sombra podia pesar como montanha, qualquer eco podia se transformar em abismo.
Às vezes, o céu dentro de mim também esquecia o caminho do azul. Havia noites em que as estrelas se desmanchavam nos meus ombros e o horizonte se partia em silêncio, quase me levando junto.
Mas é estranho — e sagrado — como o coração insiste em amar aquilo que o feriu sem querer. Eu nunca soube se buscava refúgio ou se era o refúgio que buscava em mim; apenas sei que ficava. Ficava como ficam os rios, mesmo quando a terra tenta bebê-los.
Esse ser-tempestade, que não distingue amanhecer de neblina, carrega dentro de si um inverno que não dorme. E eu, com minhas mãos frágeis, tento aquecer essa estação interminável com pequenas brasas de esperança. Às vezes basta um gesto, um sussurro, um toque inventado pela alma.
E assim vou acendendo manhãs no lugar onde a noite insiste em morar. Porque há existências que não se abandonam, há lares que continuam mesmo quando desmoronam, há vínculos que nascem antes da linguagem e duram além do corpo.
Eu permaneço. Não por obrigação, mas porque o amor — o verdadeiro — é essa força que desafia tempestades e, mesmo esgotado, ainda encontra fôlego para erguer um sol dentro do impossível.
E um dia — eu sinto — essa luz que cultivo em silêncio vai romper o nevoeiro e iluminar tudo. Porque até as tempestades mais antigas um dia se lembram de como se respira a primavera.
Psicanálise



Que mensagem linda de superação e de perseverança e principalmente de amor