Reflexões Psicanalíticas Sobre o Amor
- Elisabete Alves

- 29 de abr.
- 3 min de leitura

A Celebração do Amor
O dia 14 de fevereiro é mundialmente conhecido como Dia de São Valentim, ou Valentine's Day. Comemorado em diversos países como Argentina, Espanha, Portugal e França, essa data também vem ganhando força no Brasil, impulsionada pela migração cultural e, especialmente, pelas redes sociais.
O Amor na Visão da Psicanálise
Para a psicanálise de Sigmund Freud, o amor é um fenômeno complexo, profundamente enraizado no inconsciente. Ele se manifesta de formas distintas em cada indivíduo, moldado pelas experiências vividas e memórias afetivas únicas. O primeiro encontro amoroso ocorre ainda na infância, particularmente na relação mãe-bebê, que se torna matriz para os vínculos futuros.</p>
Os Desafios dos Relacionamentos Humanos
Relacionar-se é um processo intrinsecamente desafiador. Para que duas pessoas estabeleçam uma conexão genuína, é fundamental que haja respeito, amor e lealdade mútuos. O relacionamento exige entrega, concessões e a capacidade de se (re)conhecer continuamente. Afinal, o mundo interno de cada um se transforma com as mudanças do inconsciente coletivo e as influências incessantes de um mundo em constante renovação.
Perspectivas Filosóficas Sobre o Amor
De acordo com a Nova Acrópole, a tradição filosófica de Sócrates e Platão considera o amor como um elo que une o ser humano ao que é perfeito e divino. O amor atua como uma ponte entre o visível e o invisível, preenchendo o vazio existencial e transcendendo a experiência meramente terrena.
Freud: Amor e Libido Como Fundamentos Sociais
Sigmund Freud identificou no amor e na libido os principais impulsionadores dos vínculos sociais e das relações íntimas. Mais do que buscar a felicidade através de um parceiro, a escolha amorosa revela aspectos profundos da psique, refletindo ausências e feridas emocionais originadas na infância.
A Necessidade do Autoconhecimento
Muitos relatos demonstram como o amor pode se tornar fonte de frustração quando não há um trabalho interno de compreensão e autoconhecimento. Antes de amar o outro, é essencial reconhecer e trabalhar as próprias carências, evitando projetar no parceiro a responsabilidade pela própria felicidade.
Amor-Próprio e Saúde Mental
Construir um relacionamento saudável requer, primeiramente, o desenvolvimento do amor-próprio. A busca incessante por perfeição ou a cobrança excessiva impedem o respeito às próprias fragilidades, prejudicando tanto o indivíduo quanto suas relações. O tratamento analítico, nesse sentido, tem como objetivo fortalecer a relação consigo mesmo, promovendo equilíbrio e maturidade emocional.
Comprometimento e Construção de Relações
Uma pessoa que verdadeiramente ama está disposta a enfrentar desafios e construir, junto ao companheiro, um futuro baseado em respeito e compromisso. Em contrapartida, quem apenas deseja ser amado pode não apresentar a mesma disposição para superar obstáculos, o que fragiliza a relação.
O amor, quando bem vivido, promove sentimentos de segurança, autoestima elevada e redução do estresse, impactando positivamente a saúde mental.
O Amor na Perspectiva de Carl Jung
Para Carl Jung, o amor está intimamente ligado ao aperfeiçoamento da alma. É no desejo de evoluir internamente que se torna possível oferecer o melhor de si ao outro, nutrindo relações verdadeiras e profundas.
Idealizações e o Perigo das Expectativas Irrealistas
A cultura contemporânea, alimentada por redes sociais, filmes e séries - como o sucesso das novelas turcas no Brasil - muitas vezes propaga um ideal de amor inalcançável. Esse padrão utópico pode desviar o indivíduo de sua busca genuína por felicidade, levando-o a perseguir fantasias e fetiches irreais.
O Amor em Tempos de Escassez Emocional
De acordo com Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP, a sociedade contemporânea vive um esgotamento emocional, ansiando pela experiência restauradora do amor. Em tempos de medo e ódio, o amor ganha valor inestimável justamente por sua escassez.
Amar é Risco e Transformação
Buscar o amor é assumir riscos e, acima de tudo, conhecer profundamente a própria história, reconhecendo dores, conquistas e vulnerabilidades. Afinal, ao amar alguém, abraçamos também a sua história, seus conflitos e seu mundo interior.
Reflexão Final: O Amor Se Sente, Não Se Explica
Clarice Lispector, de maneira brilhante, sintetiza essa ideia:
"Tenho limites, um deles é o amor-próprio."
Amar sem se perder, sem se corromper, é um exercício contínuo de integridade emocional. Afinal, quando abrimos mão de nós mesmos para agradar o outro, já não temos mais nada a oferecer.


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