Dia dos Namorados: o amor idealizado e o que ele revela sobre você
- Elisabete Alves

- 16 de jul.
- 3 min de leitura
Neste Dia dos Namorados, descubra o que o amor idealizado revela sobre seus desejos, inseguranças e o seu jeito de amar. Um olhar psicanalítico sobre o amor.
O que o Dia dos Namorados desperta em você?
Enquanto a maior parte do mundo celebra o Valentine's Day em 14 de fevereiro, o Brasil escolheu o dia 12 de junho como data oficial dos namorados. A escolha foi estratégica: em 1949, o publicitário João Dória criou a campanha "Não é só com beijos que se prova o amor!" para impulsionar o comércio em um mês de vendas fracas. A iniciativa teve tanto impacto que a data se consolidou como uma das principais celebrações comerciais do país.
Mas, para além da vitrine, o Dia dos Namorados movimenta o que temos de mais íntimo: desejos, fantasias, lembranças, frustrações. Ele toca profundamente o nosso psiquismo, especialmente quando existe o anseio por um amor idealizado — aquele de receber flores, ser surpreendida com um jantar romântico ou, simplesmente, sentir-se lembrada por alguém especial.
Amor idealizado: projeção, fantasia ou defesa?
Por trás das declarações e presentes, há muitas vezes uma expectativa: encontrar o “amor certo”, aquele que nos entende, completa e jamais nos decepciona. Esse amor, quase sempre idealizado, nasce das nossas fantasias mais antigas. Desde cedo, aprendemos — nas histórias, nos filmes, nas nossas próprias carências — que amar é viver um conto de fadas.
A psicanálise nos ajuda a enxergar o quanto esse ideal pode ser uma defesa. Projetamos no outro aquilo que gostaríamos de ter em nós: segurança, aceitação, valor. Esperamos que ele preencha nossas lacunas emocionais — e quando isso não acontece, sentimos frustração, solidão ou até rejeição.
Amor real: imperfeito, mas possível
O amor real não é um ideal. É encontro, é troca, é movimento. Tem conflito, tem falha, tem limite. Mas também tem construção, escuta e crescimento. Quando deixamos de buscar o amor que só existe na nossa fantasia, podemos começar a viver relações mais verdadeiras, mais humanas.
Reconhecer o amor idealizado é um passo importante no caminho do autoconhecimento. Perceber que ele nasce dentro de nós — e não no outro — nos ajuda a olhar com mais gentileza para o amor possível. Aquele que acolhe nossas imperfeições e também nos convida a crescer.
Amar começa no amor por si
Freud dizia:
“As crianças amam em primeiro lugar a si próprias, e apenas mais tarde é que aprendem a amar os outros.”
O amor-próprio é a base da nossa capacidade de amar o outro. Quando me sinto amada por mim, reconheço que a beleza da flor ao lado não anula a minha. E quando aceito que o amor é vivido, e não explicado, posso também compreender a frase:
“Como é seguro o ser que se sente amado.”
Para refletir neste Dia dos Namorados…
Você deseja o amor ou o ideal de amor?
Está buscando alguém ou tentando preencher um vazio interno?
O que o amor significa para você hoje?
Talvez esse seja um bom momento para se perguntar: quais histórias de amor você está contando para si mesma? E se, em vez de buscar o amor perfeito, você começasse a cultivar um amor mais real, possível — e que comece por você?
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Se quiser aprofundar essa reflexão, entre em contato comigo. A psicanálise pode te ajudar a compreender seus padrões afetivos e criar relações mais saudáveis — consigo e com os outros.










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